Converta taxa nominal (APR) em taxa efetiva anual (EAR/APY) com qualquer capitalização — diária, mensal, trimestral ou contínua. Para comparar empréstimos e poupança.
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O que é a taxa de juros efetiva?
A taxa de juros efetiva (também chamada taxa efetiva anual, EAR ou APY) é a taxa anual real que você ganha em poupança ou paga em um empréstimo após considerar a capitalização dentro do ano. Quase sempre é maior do que a taxa 'nominal' anunciada, porque a capitalização rende juros sobre juros já recebidos. Quanto mais rápida a capitalização (mensal vs anual, diária vs mensual), maior a diferença.
Use taxas efetivas para comparar produtos financeiros com honestidade. Um cartão de crédito que anuncia 18% APR capitalizado diariamente tem EAR de 19,72%. Uma poupança a 5% APR capitalizada mensalmente tem APY 5,12%. Bancos e credores escolhem o número que soa melhor — comparar 'maçãs com maçãs' significa converter tudo para taxa efetiva anual primeiro. Esta calculadora trata todos os intervalos padrão mais capitalização contínua (limite teórico quando os períodos tendem ao infinito, com EAR = e^r − 1).
Fórmulas da taxa efetiva
Duas fórmulas, conforme o tipo de capitalização:
Taxa efetiva do período = Taxa nominal anual ÷ n
Taxa efetiva anual = (1 + Taxa nominal ÷ n)^n − 1
Onde:
Taxa nominal = a taxa anual declarada (em decimal, p.ex. 6% = 0,06)
n = número de períodos de capitalização por ano (12 = mensal, 365 = diário)
EAR = Taxa efetiva anual, também chamada APY
Exemplos de cálculo
Exemplo 1: capitalização mensal
Calcule a taxa efetiva anual para uma taxa nominal de 6% capitalizada mensalmente:
EAR = 6,17%, 0,17% acima da taxa nominal de 6%. A taxa do período é 6% ÷ 12 = 0,50% ao mês.
Exemplo 2: capitalização diária (cartão de crédito típico)
Calcule a taxa efetiva anual para uma taxa nominal de 18% capitalizada diariamente:
EAR = (1 + 0,18/365)^365 − 1 = 0,197164 = 19,72%
EAR = 19,72%, 1,72% acima do APR de 18% anunciado. Sobre R$ 5.000 mantidos por um ano, isso são R$ 86 a mais em juros pagos pelo titular.
Como a frequência de capitalização muda a taxa efetiva
Para uma taxa nominal anual de 6%, eis como a taxa efetiva escala com a frequência. Note os retornos decrescentes — a diferença entre mensal e contínua é muito menor do que entre anual e mensal:
Anual (n=1): 6,0000%
Semestral (n=2): 6,0900%
Trimestral (n=4): 6,1364%
Mensal (n=12): 6,1678%
Semanal (n=52): 6,1800%
Diária (n=365): 6,1831%
Contínua (n→∞): 6,1837% (= e^0,06 − 1)
Aplicações comuns
Comparar poupanças que anunciam APR vs APY — o banco que anuncia APY é o sincero
Avaliar cartões de crédito: 22% APR capitalizado diariamente é 24,6% EAR, não 22%
Compra de hipoteca: a maioria das hipotecas dos EUA capitaliza mensalmente, então APR e EAR ficam próximos mas não iguais
Comparações de CDB e money-market com diferentes capitalizações
Análise de rentabilidade de títulos: a YTM é anunciada em base nominal; a rentabilidade real é efetiva
Comparações internacionais: o 'AER' europeu é matematicamente idêntico ao APY dos EUA
Calcular o custo real de empréstimos consignados ou de payday (2% a cada 14 dias = 67% EAR)
Reconciliações de tesouraria bancária e corporativa
Calculadora de Taxa de Juros Efetiva
Por que a taxa efetiva importa
Comparação real: compare empréstimos e poupanças com diferentes capitalizações em pé de igualdade
Compliance regulatório: o Truth in Lending Act (EUA) exige APR mas nem sempre EAR; a UE costuma exigir os dois
Qualidade da decisão: a taxa errada numa hipoteca de 30 anos custa milhares; em poupança previdenciária, dezenas de milhares
Intuição de capitalização: quanto maior o n, maior o gap, com retornos decrescentes até a contínua
Detecção de custos ocultos: cartões e payday loans frequentemente anunciam taxas de período pequenas que se capitalizam em EARs enormes
Desempenho de investimentos: 7% APR contínuo = 7,25% EAR — a diferença se acumula ao longo dos anos
Dicas para usar a calculadora de taxa efetiva
Compare semelhantes — sempre converta os dois produtos para EAR antes de decidir
Capitalização mais frequente sempre dá taxa efetiva maior, mas o ganho marginal cai rápido depois do mensal
Em empréstimos, busque o MENOR EAR; em poupança, o MAIOR
Verifique se a taxa anunciada é APR (nominal) ou APY (efetiva); bancos escolhem o número mais lisonjeiro
Atenção a taxas não incluídas — abertura, atraso, transferência podem ofuscar a diferença
Use a opção contínua (e^r) como máximo teórico; muitas fórmulas avançadas a usam
Para tesouros e papel comercial curto, a taxa às vezes é cotada como 'rendimento por desconto' — converta antes de comparar
Se refinanciar, os custos de fechamento amortizados ao longo do novo prazo podem mudar qual EAR é realmente menor
APR vs APY (vs EAR — todas a mesma ideia)
APR: Taxa Percentual Anual. A taxa 'simples': nominal anual sem efeito de capitalização. Por lei dos EUA, empréstimos devem divulgar APR (Truth in Lending Act). Para empréstimos com taxas, APR pode incluí-las, ficando às vezes acima da taxa pura de juros.
APY: Rendimento Percentual Anual. A taxa 'efetiva': inclui o efeito da capitalização no ano. Por lei dos EUA, contas de poupança devem divulgar APY (Truth in Savings Act). Matematicamente igual ao EAR (Effective Annual Rate) e à AER (Annual Equivalent Rate) europeia.
Exemplo rápido: uma poupança com 5% APR capitalizado mensalmente tem APY de 5,12%. O banco pode legalmente anunciar qualquer um — APY costuma ser o maior para poupança (banco gosta de números grandes ali) e APR costuma ser anunciado para empréstimos (banco gosta de números pequenos ali). Ao ver uma única taxa em marketing, sempre pergunte qual delas é.
Perguntas Frequentes
APR é a taxa nominal — o que o banco anuncia sem efeito de capitalização. APY é a taxa efetiva — o que você realmente ganha ou paga após capitalizar. São idênticas com capitalização anual (n=1) e divergem conforme n cresce. Para 6%: APR = 6%, APY mensal = 6,17%, APY diária = 6,18%. Lei dos EUA exige APR em empréstimos (Truth in Lending Act, 1968) e APY em poupanças (Truth in Savings Act, 1991) — leis diferentes porque o Congresso queria que consumidores comparassem corretamente. Armadilha: um empréstimo com APR 'baixo' capitalizado diariamente pode ter custo real maior do que um APR maior capitalizado anualmente. Sempre converta para EAR antes de comparar dois produtos com capitalizações distintas.
Porque cada período rende juros sobre os juros do período anterior, não só sobre o principal original. Após o mês 1 de uma conta a 6%/ano mensal, você tem R$ 100 + R$ 0,50 de juros = R$ 100,50. Os juros do mês 2 incidem sobre R$ 100,50, não sobre R$ 100 — então você recebe R$ 0,5025, não R$ 0,50. Os extras R$ 0,0025 são pequenos mas se acumulam: 12 meses de capitalização transformam 6% nominal em 6,17% efetivo. Com capitalização diária, o pequeno extra de cada dia rola adiante; com contínua, a matemática toma o limite com n → ∞, dando EAR = e^r − 1. O gap entre mensal e contínua é pequeno (6,17% → 6,18%) porque a capitalização tem retornos decrescentes — a maior parte do benefício vem de anual para mensal, não de mensal para diária.
Capitalização contínua é o limite teórico quando o número de períodos tende ao infinito. Quando n → ∞, a fórmula (1 + r/n)^n → e^r, onde e ≈ 2,71828 é o número de Euler. O EAR para r nominal sob capitalização contínua é e^r − 1. Para 6%: e^0,06 − 1 = 6,1837%, apenas 0,0006 pontos percentuais acima da diária (6,1831%). Na prática nenhum banco realmente capitaliza continuamente — usam diária no máximo. Mas capitalização contínua aparece em toda a teoria financeira: precificação de opções de Black-Scholes, duração de títulos, curvas de yield do Tesouro, valor presente de fluxos de caixa. Intuição: e^r captura o máximo absoluto do efeito de capitalização para uma dada taxa nominal — útil como cota teórica ou para modelos de derivativos.
Porque o 18% APR é nominal, mas a capitalização eleva a taxa efetiva anual bem mais. Cartões de crédito capitalizam diariamente — todo dia 0,0049% de juros incidem sobre um saldo de R$ 100 a 18% APR. Em 365 dias, capitaliza para 19,72% EAR. Pior: saldos de cartão geralmente incluem juros do mês anterior no novo saldo ('capitalização sobre saldo devedor'), então a matemática roda diária plena. Os R$ 5.000 que você deve a 18% APR vão custar R$ 986 em juros num ano se você nunca pagar — não R$ 900. Regras de divulgação agora exigem tanto APR quanto estimativa de custo total em muitos extratos; veja o 'custo financeiro anual se pagar mínimo' para ver sua taxa efetiva real.
Porque hipotecas dos EUA capitalizam mensalmente e, com 12 períodos no ano, o gap entre APR e EAR é pequeno mas não zero. Uma hipoteca a 6% APR tem EAR de 6,17% — cerca de 17 pontos-base. Sobre US$ 300.000 em 30 anos, esses 17 pb acumulam cerca de US$ 9.500 de juros a mais do que a manchete sugere. O gap maior em hipotecas é entre APR (que inclui taxas como originação e pontos) e a taxa pura de juros. Por lei (Truth in Lending Act), APR de hipoteca DEVE incluir taxas relacionadas ao empréstimo, então a APR divulgada é maior que só a taxa de juros. Não confunda 'APR inclui taxas' (regra de divulgação dos EUA) com 'APR vs EAR' (matemática da capitalização). Para comparar hipotecas, a APR-com-taxas é o que você compara; EAR raramente importa, exceto para calcular economia ao quitar antes.
A Regra de 72 (divida 72 pela taxa para anos até dobrar) atua sobre EAR, não sobre APR nominal. Com EAR de 6% numa poupança, seu dinheiro dobra em 72/6 = 12 anos. Para uma conta de 6% APR capitalizado mensalmente (EAR 6,17%), dobra de fato em 72/6,17 ≈ 11,67 anos — cerca de 4 meses antes do que o número nominal sugere. A Regra de 72 é precisa dentro de 1% para taxas entre 5% e 15%. Abaixo disso, use a Regra de 70; acima, a Regra de 76 ou 78. Para capitalização contínua, use ln(2)/r ≈ 0,6931/r — um pouco mais preciso que 72/r. Uso prático: por isso uma poupança a 5,0% APR capitalizado mensal (EAR ≈ 5,12%) é meaningfully better que 5,0% APR capitalizado anual — em 30 anos, a diferença é cerca de R$ 1.800 por R$ 10.000 investidos.
Só quando a capitalização ocorre exatamente uma vez por ano (n=1), ou não há capitalização (juros simples). Toda outra frequência faz a taxa efetiva ficar acima da nominal. Três casos específicos: (1) Um título zero-cupom pagando juros simples sem capitalização interna — nominal = efetiva em base de período único, mas a capitalização importa entre vários títulos. (2) Algumas hipotecas anunciam 'taxa de juros' que na verdade já é a taxa periódica ('taxa ao mês' em produtos mexicanos e alguns brasileiros) — converta manualmente antes de comparar. (3) Produtos sub-anuais como LTNs e LFTs curtas, onde o rendimento por desconto é o juro simples daquele único período e não há capitalização dentro do período. Para a maioria dos produtos modernos ao consumidor em EUA/UE, a taxa cotada é anual e há alguma capitalização, então nominal < efetiva.
Dois conceitos distintos. Taxa efetiva contabiliza a capitalização dentro do ano (visto acima). Taxa real contabiliza INFLAÇÃO ao longo dos anos. Uma taxa efetiva de 5% com inflação de 3% dá uma taxa real de cerca de 1,94% (equação de Fisher: 1 + real = (1 + nominal) / (1 + inflação)). Elas empilham: uma conta a 5% APR capitalizado mensalmente tem EAR 5,12%; se a inflação for 3%, o retorno real é 5,12% − 3% ≈ 2,06% (mais preciso: (1,0512/1,03) − 1 = 2,06%). Ao avaliar poupança de longo prazo, especialmente previdência, você quer o retorno real efetivo — os dois ajustes. Títulos indexados à inflação (NTN-B no Brasil, TIPS nos EUA) têm o valor de face ajustado pelo IPCA, então a taxa anunciada JÁ é a taxa real, sem precisar de Fisher. Por isso NTN-Bs são úteis para carteiras de aposentadoria: a taxa já está líquida da inflação, simplificando o planejamento de longo prazo.