Calcule juros simples I = P × R × T e montante total. Compare com juros compostos, veja quando bancos usam e explore convenções 30/360 e actual/365.
Tem feedback? Reporte bugs, sugira recursos ou compartilhe suas ideias — lemos todos
O que são juros simples?
Juros simples são os juros que você paga ou ganha calculados apenas sobre o principal original, nunca sobre os juros já acumulados. Os juros crescem linearmente com o tempo, e não exponencialmente. Se você toma R$ 1.000 emprestados a 5% de juros simples por 3 anos, paga exatamente R$ 50 por ano — R$ 150 no total — independentemente de como o juro foi acumulado.
Juros simples são usados em empréstimos de consumo de curto prazo, financiamentos de carro, alguns empréstimos estudantis, letras do Tesouro (abaixo de um ano) e muitos títulos (para o cálculo do cupom). Também é o modelo mental natural para situações cotidianas, como dividir uma conta que rende juros até o dia do pagamento. Poupanças de longo prazo e a maioria das hipotecas modernas usam juros compostos, onde a curva fica exponencial e os totais ficam dramaticamente maiores ao longo de décadas.
Fórmula dos juros simples
A fórmula dos juros simples é a equação mais usada em finanças pessoais:
I = P × R × T
A = P + I = P × (1 + R × T)
Onde:
I = Juros simples (valor dos juros ganhos ou pagos)
P = Valor principal (empréstimo ou depósito original)
R = Taxa de juros anual como decimal (5% = 0,05)
T = Tempo em anos (use 0,5 para 6 meses, 0,25 para 3 meses)
A = Montante total = Principal + Juros
Exemplo de cálculo
Tome R$ 10.000 emprestados a 5% de juros simples ao ano por 3 anos:
Juros simples = R$ 10.000 × 0,05 × 3 = R$ 1.500
Montante total devido no vencimento = R$ 10.000 + R$ 1.500 = R$ 11.500. Você paga os mesmos R$ 1.500 de juros independentemente de quando dentro do período — cinco anos mantendo o principal a 5% sempre significam R$ 2.500 de juros.
Aplicações comuns
Empréstimos pessoais de curto prazo (abaixo de 12 meses)
A maioria dos financiamentos de carro nos EUA (sim, até multianuais, calculados diariamente sobre o saldo devedor — um híbrido)
Alguns empréstimos estudantis federais usam juros simples diários sobre o saldo devedor
Letras do Tesouro (T-bills) abaixo de um ano
Pagamentos de cupons de títulos (o cupom é juros simples sobre o valor de face)
Empréstimos de pay-day e adiantamentos de dinheiro de juros altos
Estimativas mentais rápidas de custos de juros
Crédito comercial (descontos por pagamento antecipado tipo '2/10 net 30')
Calculadora de Juros Simples
Vantagens dos juros simples
Fácil de calcular e verificar — todo tomador pode checar a conta do banco
Parcelas mensais previsíveis — sem surpresas de capitalização
Juros totais menores que os compostos à mesma taxa (para a mesma duração)
Favorável ao tomador em empréstimos curtos onde a diferença para a capitalização é pequena
Transparente e amigável ao regulador — o Truth in Lending Act exige divulgação clara da APR de juros simples
Dicas para usar uma calculadora de juros simples
Sempre converta a porcentagem em decimal: 5% vira 0,05, 12,5% vira 0,125
Combine a unidade de tempo com a da taxa: se a taxa é anual, T deve estar em anos (180 dias = 0,493 anos usando actual/365)
Para empréstimos com capitalização mensal (a maioria das hipotecas), não use esta fórmula — mude para juros compostos
Cuidado com as convenções de contagem de dias: 30/360 faz um empréstimo de R$ 10.000 / 6 meses / 6% custar exatamente R$ 300, enquanto actual/365 custa R$ 295,89
Use para conferências rápidas e depois confira com o cronograma de amortização do credor
Juros simples vs Juros compostos
Diferença fundamental: juros simples são calculados apenas sobre o principal original para sempre, enquanto os compostos são calculados sobre o principal MAIS os juros já acumulados. A diferença cresce exponencialmente com o tempo. Para um depósito de R$ 10.000 a 6% por 30 anos, juros simples pagam R$ 18.000 de juros totais, enquanto juros compostos anuais pagam R$ 47.435 — mais de 2,6× mais.
Juros simples: o juro de cada período permanece exatamente igual — crescimento em linha reta
Juros compostos: o juro cresce a cada período conforme o saldo cresce — curva exponencial
Perguntas Frequentes
Juros simples aplicam a taxa apenas sobre o principal original, então o juro de cada período é constante. Juros compostos aplicam a taxa sobre o saldo corrente, então o juro é calculado sobre o principal mais todos os juros já acumulados. Em um ano não há diferença — as duas fórmulas dão a mesma resposta. A diferença aparece à medida que o tempo cresce. Um depósito de R$ 1.000 a 10% por 1 ano paga R$ 100 em ambos os casos. Após 5 anos: simples dá R$ 500, composto dá R$ 610,51. Após 20 anos: simples dá R$ 2.000, composto dá R$ 5.727,50. Após 50 anos: simples dá R$ 5.000, composto dá R$ 116.390,85 — a curva composta fica quase vertical. Implicação prática: para empréstimos curtos e contas, juros simples são o modelo certo; para poupança de aposentadoria e hipotecas, juros compostos dominam e você precisa usar a fórmula correta ou ficará com erro enorme.
Três razões. Primeira, simplicidade regulatória: o Truth in Lending Act nos EUA exige que credores divulguem os juros de forma padronizada, e juros simples dão um número claro e comparável que não depende de truques de calendário. Segunda, justiça para o tomador: alguém que quita um financiamento de carro antes não deve ser punido pelo juro composto que pagaria; juros simples diários sobre o saldo devedor significam que pagar antes economiza juros. Terceira, combina com a realidade de curto prazo: para empréstimos abaixo de um ano, simples e composto diferem em valores negligenciáveis — um empréstimo de R$ 10.000 a 5% por 6 meses paga R$ 250 dos dois jeitos, com diferença de centavos. Onde o composto domina — hipotecas longas, contas de aposentadoria — os bancos usam, mas chamam de 'amortização' ou 'juros compostos' explicitamente e divulgam APY/APR separadamente.
As convenções de contagem de dias decidem quantos dias um período de empréstimo contém, o que afeta o juro. Actual/365 (também chamada 'actual/actual') conta o número literal de dias e divide por 365 — então um empréstimo de janeiro a julho conta 181 dias, dando T = 181/365 = 0,4959. 30/360 finge que cada mês tem exatos 30 dias, então janeiro a julho conta 6×30 = 180 dias e T = 180/360 = 0,5 exato. Parecem quase iguais, mas importam em finanças institucionais: títulos costumam usar 30/360 (chamada 30E/360 ou '30 dias por mês, ano de 360 dias'), mercados monetários usam actual/360, cartões de crédito e empréstimos de consumo geralmente usam actual/365. A convenção pode mudar um encargo de R$ 10.000 / 6 meses / 5% em R$ 1-3 — pequeno para indivíduos, mas enorme em uma carteira de bilhões de dólares em títulos. Sempre confira a convenção no contrato de empréstimo ou título.
Converta o tempo em fração de ano e aplique I = P × R × T. Para 6 meses: T = 0,5, então R$ 10.000 a 5% por 6 meses = R$ 10.000 × 0,05 × 0,5 = R$ 250. Para 90 dias: T = 90/365 ≈ 0,247, então R$ 10.000 × 0,05 × 0,247 ≈ R$ 123,29 (em actual/365) — ou usando 30/360, T = 90/360 = 0,25 exato, dando R$ 125. Para semanas, divida por 52; para meses, divida por 12 se quiser o equivalente mensal ou use a contagem real de dias para precisão diária. A pegadinha: se a taxa for cotada como 'mensal' (como 1,5% ao mês de um cartão de crédito), não a converta de novo — multiplique direto pelo número de meses. Sempre verifique se a taxa é anual ou periódica antes de calcular, ou ficará 12× ou 365× errado.
Sim — I = P × R × T pode ser resolvida para qualquer variável quando as outras são conhecidas. Para achar a taxa: R = I / (P × T). Se você pagou R$ 300 de juros sobre um empréstimo de R$ 5.000 em 1 ano, a taxa foi 300 / (5000 × 1) = 0,06 = 6%. Para achar o principal: P = I / (R × T). Se quer R$ 500 de juros a 4% em 2 anos, precisa de P = 500 / (0,04 × 2) = R$ 6.250. Para achar o tempo: T = I / (P × R). Para R$ 1.000 de juros sobre R$ 10.000 a 5%, T = 1000 / (10000 × 0,05) = 2 anos. Essa reorganização é o feijão com arroz do planejamento financeiro básico — qualquer um com álgebra do ensino fundamental resolve qualquer problema de juros simples em qualquer direção. A mesma flexibilidade NÃO existe para juros compostos, onde resolver para tempo ou taxa exige logaritmos.
A maioria dos empréstimos de consumo 'de juros simples' nos EUA é tecnicamente juros simples diários sobre o saldo devedor — o juro é recalculado todo dia usando I = saldo × taxa / 365, e qualquer pagamento extra reduz imediatamente o saldo (e, portanto, o juro do dia seguinte). É assim que funcionam a maioria dos financiamentos de carro nos EUA, empréstimos estudantis federais (subsidiados e não subsidiados), HELOCs e muitos empréstimos pessoais. Juros simples puros (um único cálculo no fim do prazo) são raros no crédito ao consumidor moderno — aparecem principalmente em letras do Tesouro (o deságio é o juro), cupons de títulos (a taxa do cupom × valor de face é o juro periódico, pago e não capitalizado), notas comerciais de curto prazo e contratos informais. Hipotecas, contas de poupança e cartões de crédito todos usam juros compostos — mesmo quando anunciam 'juros simples' como vantagem, geralmente significa 'juros simples diários sobre o saldo devedor', não 'um grande cálculo no vencimento'.
A Regra de 72 — divida 72 pela taxa para obter o tempo de duplicação — é um atalho dos juros compostos. Para juros simples, a regra equivalente é a Regra de 100: divida 100 pela taxa para obter o tempo de duplicação. A 5% de juros simples, seu dinheiro dobra em exatos 100/5 = 20 anos (pois a 5% ao ano você ganha 5% × 20 = 100% do principal). A 8%, dobrar leva 12,5 anos (vs 9 anos com composto). A 10%, simples dobra em 10 anos (vs 7,27 anos com composto). É a regra que torna a poupança de juros simples pouco atraente a longo prazo: a 5%, simples dá 2× após 20 anos e 3× após 40, enquanto composto dá 2,65× após 20 e 7,04× após 40. Essa matemática é exatamente por que todo consultor financeiro recomenda investimentos de juros compostos para aposentadoria.
Os juros simples crescem linearmente com o tempo — cada ano adicional acrescenta exatos P × R de juros, independentemente de há quanto tempo o empréstimo está rodando. Após 1 ano com R$ 1.000 / 10%, você deve R$ 1.100. Após 10 anos, R$ 2.000. Após 100 anos, R$ 11.000. Após 1.000 anos, R$ 101.000. A curva é uma linha reta, não uma curva. Essa é a diferença fundamental com os juros compostos: um credor imortal a 10% composto teria R$ 13,78 quintilhões após 1.000 anos a partir dos mesmos R$ 1.000 — basicamente toda a riqueza da Terra, por ordens de grandeza. A frase 'oitava maravilha do mundo' atribuída a Einstein refere-se a esse contraste exato. Na vida real quase nenhum empréstimo dura tanto, mas a matemática explica por que cada endowment, fundo de pensão e fundo soberano se obceca pela capitalização: poucos por cento de retorno extra ao ano, compostos por décadas, dominam todo o resto. Juros simples são o cavalo de trabalho do dia a dia; juros compostos são o milagre de longo prazo.